Uma data com pouco para comemorar – Por Pedro Duarte

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O Dia Mundial do Trabalho é uma data com pouco para comemorar para a maioria dos brasileiros, especialmente para os cariocas. No Rio de Janeiro, a taxa de desemprego praticamente triplicou nos últimos 6 anos, a média anual passando de 6,3% em 2014, para 17,4% em 2020, com pico de 19,1% no último trimestre. Já são 1,5 milhão de fluminenses desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Rio de Janeiro é o estado com o maior número de desempregados no Sudeste e o quarto maior do país. Ficamos atrás apenas de Bahia, Alagoas e Sergipe. Com a pandemia a situação se agrava ainda mais, principalmente em nossa cidade, o Rio de Janeiro.

No último ano, além da crise econômica pela qual o município já passava, a queda de ocupação do carioca foi agravada com a pandemia, justamente porque predominam no Rio as atividades ligadas a serviços e ao comércio. Segundo dados da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), o setor de serviços, responsável por 70% da geração de riqueza do estado, teve uma queda de 4,8% em 2020. Foi a maior queda no setor na história do estado.

No Seminário do Rio para o Rio, organizado pelo deputado federal Paulo Ganime, tive a oportunidade de mediar o debate “Emprego, renda e oportunidades: o Rio precisa!”, no qual especialistas buscaram caminhos e soluções para um futuro melhor para o trabalhador carioca.

Junto comigo, além do deputado Ganime, estavam: Tito Ryff, gerente de políticas públicas do SEBRAE; Carla Pinheiro, diretora da FIRJAN; Hector Gusmão, fundador da Fábrica de Startups Brasil; Claudio Tângari, diretor da Fecomercio; e Jonathas Goulart, especialista em macroeconomia e políticas públicas. 

Temos que analisar os motivos do Rio de Janeiro ser tão pouco competitivo. Quando falamos da criação de empregos e da geração de renda, cidades pouco competitivas não criam emprego e não geram renda. Se nós olharmos nos últimos anos, a cidade do Rio de Janeiro vem sendo a cidade que mais perde postos de trabalho. Não foi diferente na pandemia, pois temos a capital que mais perdeu. Um levantamento da Firjan indica que o estado do Rio perdeu, de fevereiro do ano passado a janeiro deste ano, mais de 118 mil empregos com carteira assinada e, só no município do Rio foram mais de 80 mil desses empregos formais perdidos na pandemia. São números muito difíceis que nós temos que enfrentar. Uma questão levantada, que todos concordam, é a necessidade urgente de uma reforma tributária ampla que atinja todos os níveis, do federal ao municipal. Sem a reforma, fica difícil manter e dar competitividade às empresas cariocas, desincentivando a geração de empregos. 

Outras questões em destaque foram: a criação de novos parques tecnológicos e a melhora da conexão dos parques já existentes com as empresas. Considerando a quantidade de intuições de ensino superior que temos, UFRJ, UERJ, UFF, UniRio, Rural e Institutos Federais, isso não só aumentaria a retenção de talentos e de empresas, como atrairia novas para o Rio. Nossa cidade, que já foi líder nesse setor, vem nos últimos anos perdendo empresas de tecnologia para centros como Florianópolis e Recife e até mesmo para municípios do interior do nosso estado.

Com isso, o Centro do Rio, por exemplo, vem se deteriorando economicamente nos últimos anos e teve na pandemia uma crise sem precedentes. A transformação do Centro em um grande parque tecnológico e a oportunidade de alteração do Plano Diretor da Cidade, alterando prédios de escritório para moradia, atrairia mais comércio e empresas, abrindo novas possibilidades de empregos. Como o Jonathas disse, o Rio precisa ser protagonista desse novo momento do mundo.

O Rio tem que se ver como líder dessa transformação no Brasil, gerando cada vez mais empregos com um alto valor agregado conectado com a demanda global e isso vem principalmente através do estímulo ao empreendedorismo, à inovação e à qualificação de mão de obra tecnológica. Temos que aprimorar a oferta de educação e permitir aos jovens a experiência e o conhecimento que tanto necessitam para conquistarem o primeiro emprego.

Pedro Duarte (@pduarte30) | TwitterPedro Duarte é advogado com pós-graduação em Gestão Pública, e vereador do Rio de Janeiro pelo Partido NOVO, eleito em 2020 com 10.069 votos.

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